“Chimarrão é sangue verde
do gaúcho, e é fonte da mais pura
seiva de uma raça guerreira e destemida.”

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A erva mate é encontrada principalmente no sul do Brasil e norte da Argentina e seu nome científico é Ilex Paraguariensis. O chimarrão é uma bebida genuinamente nativa, sendo o mais antigo e tradicional dos hábitos gauchescos. A origem do chimarrão está ligada ao hábito dos índios guaranis, que sorviam uma bebida feita

com folhas fragmentadas, tomadas em um porongo por meio de um canudo de taquara, herança, segundo a tradição, do Deus Tupã. O hábito do consumo foi fortalecido e expandido pelos espanhóis e jesuítas.

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Erva Mate e suas lendas.


Existem muitas lendas contando como

foi que começou o uso da erva mate.
Destas descrevemos algumas:

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Primeira lenda

Era sempre assim: a tribo derrubava um pedaço de mata, plantava a mandioca e o milho, mas depois de quatro ou cinco anos a terra se exauria e a tribo precisava emigrar à terra além. Cansado de tais andanças, um velho índio um dia se recusou a seguir adiante e preferiu quedar-se na tapera. A mais jovem de suas filhas, a bela Jary, ficou entre dois corações: seguir adiante, com os moços de sua tribo, ou ficar na solidão, prestando arrimo ao ancião até que a morte o levasse. Apesar dos rogos dos moços, terminou permanecendo junto ao pai. Essa atitude de amor mereceu ter recompensa. Um dia chegou ao rancho um pajé desconhecido e perguntou a Jary o que é que ela queria para se sentir feliz. A moça nada pediu. Mas o velho pediu: “Quero renovadas forças para poder seguir adiante e levar Jary ao encontro da tribo que lá se foi”.
Entregou-lhe o pajé uma planta muito verde, perfumada de bondade, e ensinou que ele plantasse, colhesse as folhas, secasse ao fogo, triturasse, botasse os pedacinhos num porongo, acrescentasse água quente ou fria e sorvesse esta infusão.
“Terás nessa nova bebida uma companhia saudável mesmo nas horas tristonhas da mais cruel solidão”. Dada a receita, partiu. Foi assim que nasceu e cresceu a caá-mini. Dela resultou a bebida caá-y que os brancos mais tarde adotaram com o nome de chimarrão.
Sorvendo a verde seiva o ancião retemperou-se, ganhou força, e pôde empreender a longa viagem até o reencontro com os seus.
Foram recebidos com a maior alegria e toda tribo adotou o costume de beber da verde erva, amarguenta e gostosa, que dava força e coragem e confortava amizade mesmo nas horas tristonhas da mais total solidão.

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Segunda lenda

Lenda dos índios guaranis do sul do Brasil narra o surgimento da erva-mate, com a qual se prepara o tradicional chá. Diz a lenda que o índio Jaguaretê foi expulso de sua tribo por ter matado sem culpa um outro índio e que depois de caminhar muitos dias e noites, quase desfalecido de cansaço caiu perto de uma árvore desconhecida. Durante o seu sonho a deusa Caalari (deusa protetora das ervas) lhe ensinou a preparar uma bebida das folhas da árvore e graças a este chá ele se recuperou e ficou forte e saudável. Visitado muito tempo depois pelos índios de sua antiga aldeia, Jaguaretê ofereceu-lhe o chá de erva-mate, o que lhe permitiu voltar a tribo para ensinar a preparar a bebida para toda a aldeia, difundindo assim o chá por toda a região.

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Terceira lenda

Conta-se que Deus, acompanhado por São José e São Pedro, em uma longa jornada, pediu pousada na casa de um índio, já velhinho e muito pobre, que tinha como único bem, uma jovem e linda filha. O bom índio acolheu os incógnitos visitantes com carinho e hospitalidade. Querendo recompensá-lo, Deus disse ao ancião: – Vou premiá-lo pela generosidade de sua acolhida, tornando imortal, sua bela e inocente filha, a quem você quer tanto. E assim, Caá-Yari, a jovem guarani, foi transformada na árvore da erva-mate, que desde então existe e por mais que a cortem, sua folhagem volta a brotar e a florir sempre mais vigorosa, permanecendo eternamente jovem. Caá-Yari tornou-se a deusa dos ervais protegendo suas selvas, favorecendo os ervateiros, abreviando seus caminhos, diminuindo-lhes o peso dos feixes e mitigando-lhes a árdua e cansativa jornada de trabalho nos ervais.

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Preparo do Chimarrão

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1) Coloca-se erva mate na cuia, aproximadamente 2/3 da capacidade da sua capacidade.
2) Tape o bocal da cuia acomodando a erva num dos lados deixando um espaço livre, do fundo até o bocal, protegendo com um objeto plano ou a própria mão.
3) Despejar água morna ou fria até a metade, inclinando mais a cuia, até a água chegar à borda.
4) Deixar a cuia parada por alguns minutos até a água ser totalmente absorvida pela erva.
5) Tapar o bico da bomba com o polegar e colocá-la no fundo da cuia onde deverá ser encostada próximo à erva. Então é só saborear o doce amargo.

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Os 10 mandamentos do chimarrão

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1 – Não peças açúcar no mate:

O gaúcho aprende desde piazito porquê o chimarrão se chama também mate amargo ou, mais intimamente, amargo apenas. Mas se tu és de outros pagos, mesmo sabendo, poderá achar que é amargo demais e cometer o maior sacrilégio que alguém pode imaginar nesse pedaço do Brasil: pedir açúcar. Pode-se por água, ervas exóticas, cana, frutas, etc…, mas jamais açúcar. O gaúcho pode ter todos os defeitos do mundo, mas não merece ouvir um pedido desses. Portanto, tchê, se o chimarrão te parece amargo demais, não tomes, tu vais te sentir bem melhor.

2 – Não digas que o chimarrão é anti-higiênico

Tu podes achar que é anti-higiênico por a boca onde todo mundo põe. Claro que é. Só que tu não tens o direito de proferir tamanha blasfêmia em se tratando de chimarrão. Pois a roda de chimarrão é um símbolo de amizade.

3 – Não digas que o chimarrão está quente demais

Se todos estão chimarreando sem reclamar da temperatura da água, é porque ela é perfeitamente suportável por pessoas normais. Se tu não és uma pessoa normal, assume tuas frescuras. Se, porém, te julgas perfeitamente igual aos demais, fazes o seguinte: vai para o Paraguai. Tu vai adorar o chimarrão de lá.

4 – Não deixe o chimarrão pela metade

Apesar da grande semelhança que existe entre o chimarrão e o cachimbo da paz, há diferenças fundamentais. Como o cachimbo da paz, cada um dá uma tragada e passa-o adiante, já o chimarrão não. Tu deves tomar toda a água servida até ouvir o ronco da cuia vazia.

5 – Não tenha vergonha do ronco no fim do chimarrão

Se, ao acabar o mate, sem querer fizer a bomba “roncar”, não te envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar mal-educado.

6 – Não mexas na bomba

A bomba de chimarrão pode muito bem entupir, seja por culpa dela mesma, da erva ou de quem preparou o mate. Se isso acontecer, tens todo o direito de reclamar. Mas por favor, não mexas na bomba. Fale com quem te passou o mate ou com quem lhe passou a cuia.

7 – Não altere a ordem que o chimarrão é servido

Roda de chimarrão funciona como cavalo de leiteiro. A cuia passa de mão em mão, sempre na mesma ordem. Tu podes entrar na roda a qualquer momento, mas depois de entrar, espera sempre a tua vez e não queiras favorecer ninguém, mesmo que seja a mais prendada prenda do estado.

8 – Não condenes no dono da estância por tomar o primeiro chimarrão

Se tu julgas o dono da casa um grosso por preparar o chimarrão e tomar ele próprio o primeiro mate, saibas que o grosso és tu. O pior mate é o primeiro, e quem toma está te prestando um favor.

9 – Não durmas com a cuia na mão

Tomar mate solito é um excelente meio de meditar sobre as coisas da vida. Tu mateias sem pressa, matutando. Agora, tomar chimarrão numa roda é muito diferente. Aí o fundamental não é meditar, mas sim integrar-se à roda. Numa roda de chimarrão, tu falas, discutes, ris, xingas, enfim, tu participas de uma comunidade em confraternização. Só que essa tua participação não pode ser levada ao extremo de te fazer esquecer a cuia que está na tua mão. Fala quanto quizeres, mas não esqueças de tomar o teu mate que a moçada tá esperando.

10 – Não digas que o chimarrão da câncer na garganta ou outra doença

Pode até dar. Mas não vai ser tu, que pela primeira vez pega na cuia, que irás dizer, com ar de entendido, que o chimarrão é cancerígeno. Se aceitaste o mate que te ofereceram, toma e esqueces o câncer. Pois se fosse por isso todos os gaúchos aqui do sul já teriam morrido.

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Você sabia Tchê!

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  • Oferecer um chimarrão é uma demonstração de amizade e hospitalidade.
  • O mate é considerado um produto nutritivo e dos mais higiênicos, sendo em certos países sul-americanos gêneros de primeira necessidade e que por suas qualidades tônicas estimulantes e diuréticas.
  • A erva mate foi o alimento básico dos índios guaranis. Com a chegada dos Jesuítas da Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loiola, desenvolveram sua cultura e cultivaram sementes selecionadas.
  • O mate é encontrado de forma natural em 3 países (Argentina, Brasil e Paraguai) e 5 Estados: Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, sendo que mais de 80% desta área encontra-se no Brasil abrangendo 482 municípios, apenas na região sul com uma área estimada em 770.000 hectares.
  • O clima ideal para sua cultura é: temperado e subtropical com chuvas regulares e distribuídas ao longo dos anos.
  • Não deve ser usado água muito quente, pois queima a erva e deixa o chimarrão muito amargo.
  • Os nomes vulgares são os mais variados: erva mate, conganha, congonheira, erva, mate (índios quíchuas), caá (índios brasileiros), congoin.
  • Apesar de toda tradição de amizade e confiança, o chimarrão, já tem sua história como instrumento de vinganças, principalmente por parte de escravos, que revoltados com seus senhores, colocavam moedas de cobre azinhavrado na cuia de infusão, envenenando-os.
  • O termo mate é proveniente da língua quíchua “mati” que era a designação da cuia, ou do recipiente onde é feita a infusão das folhas trituradas da erva, com a água. Este nome passou do recipiente ao seu conteúdo, sendo adotado a palavra Mate, em toda a América do Sul, para denominar a bebida feita da erva mate.